domingo, 10 de maio de 2015

Sardinha nada com sardinha...


"SARDINHA NADA COM SARDINHA, TUBARÃO NADA COM TUBARÃO".

Essa frase nada mais é do que um outro modo de relembrar um velho ditado bem conhecido da vovó: "Diga-me com quem tu andas e direi quem tu és!". Faz relembrar também um outro ditado bem menos conhecido: "Quem anda com os sábios será sábio". E um outro: "Passarinho que dorme com morcego acorda de cabeça para baixo".

Primeiro é importante saber que é díficil definir um Tubarão ou um sardinha. É impossível reconhecer um Tubarão apenas pela aparência, cargo, nacionalidade, idade, currículo ou conta bancária. Para provar o que estou dizendo, cito o maior investidor de todos os tempos, Warren Buffet.

Ninguém o imaginaria bilionário quando ele era um simples jornaleiro, ou seja, ninguém o reconheceria como um "Tubarão" naquela época. Mas ele só é o que é hoje, porque na verdade ele sempre foi um Tubarão, mesmo durante os tempos de jornaleiro. As atitudes dele naquele momento o tranformaram no que ele é hoje. Ele agiu como um Tubarão!
Ok! Pode ser difícil encontrar um conceito de Tubarão ou sardinha, contudo é importante sabermos quando encontramos um deles.


Mas embora seja difícil encontrarmos uma definição de Tubarão, acredito que todos eles têm características em comum. Cito algumas: disciplina, paciência, determinação, empreendedorismo, coragem de arriscar. (Temos alguns desses na blogosfera. Você, leitor, se encaixa aqui?)




Da mesma forma, embora seja difícil definir o conceito de sardinha, nós podemos reconhecê-lo por algumas características: comodismo (com a vida que leva, com o que ganha, com o que faz), sempre chora, nunca age de modo diferente, nunca arrisca e para nunca arriscar sempre encontra uma desculpa (Ah... mas isso, mas aquilo, não vai dar certo).



 E repare uma coisa: esse tipo de pessoa pessimista nunca está só, ela sempre tem outras pessoas ao seu redor e "coincidententemente" com as mesmas características. É porque "sardinha atrai sardinha"! Cuidado com essas pessoas... Mas da mesma forma tenha que "Tubarão atrai Tubarão".

Você, leitor, pode achar que a história que irei compartilhar a seguir nada tem a ver com o texto acima. É que, não sei por qual razão, refletindo sobre o assunto "Tubarão x sardinha" eu me recordo de quando era mais novo (18 a 20, por aí) e saia para beber com os amigos. Esses meus amigos SEMPRE saiam para beber (segunda a segunda, praticamente), num determinado horário marcado (dias de semana após o trabalho e finais de semana iniciava-se a bebedeira pela tarde) e SEMPRE no mesmo lugar (um boteco fodido de esquina). 

Um determinado dia liguei para um deles e perguntei onde eles estavam e meu amigo do outro lado da linha disse que era no Bar "Tal" (o mesmo de sempre). Tentei convencê-los a irem para outro lugar, mas sem êxito. No final da ligação, eu já com um pouco de raiva falei: "Então beleza! O dia que vocês forem para um lugar diferente me avise!" Porra! Todo santo dia, indo para o mesmo lugar, fazendo a mesma coisa! Sai fora... cansa! Nada contra ir nesse Boteco fodido tomar umas, mas podia ser de vez enquando.

Sei que beber de segunda a segunda não é nem de longe uma atitude de Tubarão, mas da forma que meus amigos estavam fazendo era notório o atraso de vida. Pareciam aqueles velhos que todo santo dia vão a um bar depois do trabalho, bebem e vão embora. No outro dia estão lá de novo. Eu não queria isso! Eu não queria estar ali no meio deles. Inegavelmente eram sardinhas com atitude de sardinha.

No que diz respeito a essa experiência, quero esclarecer que a minha intenção ao chamá-los para outro lugar era sair para curtir, se divertir, "ver gente diferente", ver mulher, ver um movimento! Procurar outras coisas para fazer. Isso não significa que eu era ou sou um Tubarão, mas só pelo fato de reconhecer que "até nisso" meus amigos agiam com comodismo, significa que eu, estando "ali", estaria entre os sardinhas, estaria aceitando um comodismo na minha vida.

Resumo da ópera: se os caras sequer são capazes de trocar de barzinho para tomar umas, imagine o comodismo deles no sentido financeiro, patrimonial, profissional, mulheril! O pior é que mais de 10 anos se passaram e sabe que aconteceu? Percebo que eu estava certo: apenas eu e mais um amigo que tomou a mesma atitude que a minha "evoluímos" nesses aspectos que falei acima. Inclusive eu e ele mudamos de cidade, enquanto os demais amigos ficaram na mesma vidinha de sempre. E quando retornamos à cidade de origem nós vemos as mesmas pessoas, com as mesmas mentalidades e agindo da mesma forma. São meus amigos, mas não são com essas pessoas que eu devo fazer meu networking.

E sobre networking, compartilho uma experiência interessante que tive essa semana: eu estava de boa em uma lanchonete tomando café quando um advogado (bem já de idade), sentou duas cadeiras ao meu lado. Do nada, começou a puxar conversa. Em questão de segundos tentei fazer uma análise para reconhecer se era um advolixo ou um advogado reconhecido.

Pela idade, pelo naipe do cara e pela empresa que o cara estava advogando e pela conversa dele eu já percebi que o cara não era "pouca bosta". Nisso, eu poderia ter simplesmente respondido secamente o cara e ignorado-o. Fiz o contrário, mostrei interesse, dei atenção a ele e o convidei para sentar a minha frente (não sentei na frente dele porque eu estava comendo e ele ainda não tinha recebido seu café na mesa, se não eu o faria).

Perguntei o nome dele e quando ele disse eu imaginei que já tinha ouvido falar daquele nome. Descobri que o cara RECUSOU a vaga de Desembargador ao ser indicado pelo quinto constitucional. (Que advodado em sã consciência se recusa a receber R$ 30.000,00 ou mais e se tornar Desembargador? Nenhum. A não ser que ele ganhe mais que isso!) Descobri ainda que o cara já escreveu alguns livros. Em meio a tantos sardinhas na área advocatícia, esse cara é um Tubarão. Finalizando a conversa, de forma descontraída, eu me coloquei à disposição para trabalhar com ele e ele procurou um cartão de visita na sua carteira e me entregou. No meu ramo, essa é a pessoa com a qual eu devo ter networking.


Não sei quem é o(a) autor(a), mas certo dia li o seguinte: "Você é a média  das cinco pessoas com quem passa mais tempo". Nada mais justo! Li isso faz um tempo, mas refletindo em minhas experiências passei a perceber isso. Já pensou no que eu poderia ser ou deixar de ser hoje se eu continuasse entre os sardinhas-amigos citados acima? Certamente eu seria a "média" deles.

Conclusão:

Reflita: Pare e olhe ao seu redor. Com quem você anda? Tubarão ou sardinha? O que você faz é menos importante do que com quem você faz. Se você fosse montar uma equipe, é óbvio que você gostaria de trabalhar com as pessoas certas, com os tais Tubarões. Afinal, as coisas mudam e é necessário que para crescer você passe por obstáculos ao invés de se acomodar, como faz o sardinha. Ande com os sábios. Seja Tubarão, nade entre os Tubarões. Aprenda com os sábios! Transforme o Tubarão ao seu lado em sócio. Sempre haverá habilidades e conhecimento que uma pessoa poderá complementar ao seu negócio. E você tem as habilidades e os conhecimentos que podem ser complementados a alguém, a um Tubarão. Tubarões podem ser encontrados em qualquer lugar. Esteja entre os Tubarões! "Você é a média  das pessoas cinco pessoas com quem passa mais tempo". Lembre-se da regra: "Tubarão nada com tubarão, sardinha nada com sardinha".


Abraços e bons investimentos a todos!

18 comentários:

  1. Robert Kiyosaki defende muito isso em seus livros. Pertinente seu post, parabéns!

    Abraço
    Bagual

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    1. Eh bem isso mesmo rk.
      Não podemos perder oportunidades e devemos estar atento a elas quando aparecerem.
      Estamos próximos de sardinhas e de tubarões. Quem pode nos ajudar a crescer? Tubarões. Sardinha nos ajudam apenas trabalhando PARA nós.
      Abraço e sucesso!

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    2. Grande mineiro

      Belo post amigo, eu mesmo percebo isso, quando eu frequentava o ambiente acadêmico sentia que estava evoluindo pois sempre procurei ficar perto dos professores mais bem conceituados e puxar um papinho de vez em quando. Hoje como estou limitado ao meu ambiente profissional e familiar sinto que parte do meu cérebro é sugado. Estranho isso não? Enfim, estar perto dos melhores realmente nos faz melhores.

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    3. bagual é robert kiyosaki = RK

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  2. É isso mesmo, meu caro MC.
    Estar entre os melhores nos faz um dos melhores.
    Mas não se limite ao ambiente familiar e profissional. Tubarões estão em todos os lugares.
    Abraço é sucesso.

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  3. A questão familiar é um ponto importante, daria para fazer um post.
    A família (principalmente os pais) é importante para a formação de uma pessoa, creio que sobre isso não há dúvidas. Porém quando o comportamento ou ideias de uma pessoa destoam da maior parte de seus familiares não é raro essas pessoas sofrerem "sabotagens" de seus entes queridos (Que muitas vezes não tem nada de queridos).
    Quando um cara é mais centrado, responsável, cabeça dentro de uma família que em sua maioria não é assim, muitas vezes o que acaba acontecendo é o isolamento dessa pessoa ou algo muito próximo disso.
    Mesmo entre família nem sempre dá pra nadar com tubarões, nem sempre dá pra aprender, nem sempre se é respeitado. Pode ser necessário buscar referências fora do ambiente familiar.
    Por que digo isso? Porque a família tão alardeada como um porto seguro, o que em teoria poderia ser verdade e até é em alguns casos, muitas vezes é a ancora na vida de algumas pessoas.

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    1. Mandou muito bem anônimo!
      Se vc tiver uma experiência dentro da própria família, depois compartilhe conosco. Eu tenho!
      Abraço e sucesso!

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  4. Ótima postagem! As vezes é complicado se distanciar de alguns amigos de longa data... mas é importante reconhecer quando as suas atitudes e aspirações não estão alinhadas com as das pessoas ao seu redor.
    É extremamente difícil encontrar pessoas que agreguem algo a sua vida quando a maioria delas só pensa em gastar o que recebe comprando o último galaxy, o último iphone, ir a balada, fazer uma bíblia para trocar de carro.

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    1. Olá meu caro. Prazer receber sua visita, IPA!
      Está difícil mesmo.
      Por isso encontrar pessoas alinhadas com nossas ideias é o que faz da blogosfera de finanças o refúgio de muitos. Aqui "nos" encontramos e trocamos ideias que agregam na nossa vida.
      Abraço e sucesso, meu amigo!

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  5. Sardinha = pobretão de vida ruim

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    1. Obrigado pela visita anônimo. Prazer em recebê-lo!
      Pow cara, sacanagem ne!! ehehe...
      Pensando friamente acho que ele não chega a ser um sardinha, veja: o cara tá se dedicando a investir, aportando, arriscando em um all in e talz. Sardinha não arriscaria, concorda?
      Só acho que as vezes o cara "se fecha" demais e numa dessas pode ter "perdido a oportunidade de ter uma oportunidade" daquelas.
      Forte abraço e sucesso!!

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    2. Sardinha = 99% do público do pobretão.

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  6. 99% do público do pobretão = lambari.

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  7. Boa investidor mineiro!! Socializar muito pode lhe consumir muito tempo que deveria ser gastos com desenvolvimento pessoal ou socializando com pessoas que vão lhe acrescentar em conhecimento.

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  8. Muito bom seu post, Mineiro.

    Lembrei do meu antigo bairro, em que 90% dos meus conhecidos são bêbados ou drogados. Os desgraçados tinham muita inveja porque eu estudava numa federal. Sempre tentaram me derrubar.


    A blogosfera é importante por permitir que se fale de dinheiro e outras ocisas boas da vida, como mulheres, carros, viagens, casas na praia. Dinheiro é bom, receber dividendos é ótimo, mas não podemos esquecer que grana atrai buças e só por este motivo ela se torna maravilhosa. O capital deve trazer qualidade de vida.

    Por último, estou no aguardo do seu post sobre cidades pequenas. Quero me mudar para uma cidade pequena, com praia, depois de atingir a IF, coisa para 2024. Já tenho tudo planejado, rotina de vida, investimentos, lazer, mulheres. Só falta acumular o patrimônio.

    Abs,

    Exsocialista



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    1. Prazer receber sua visita, Exsocialista. Bem vindo!

      Gostei muito da sua frase. Merece uma placa: "O capital deve trazer qualidade de vida".

      Valeu por lembrar sobre o post das cidades pequenas. Ainda não escrevi um rascunho, mas conforme o tempo passa, vou tendo cada vez mais certeza que irei escrever uma coisa bastante útil a todos da blogosfera. Em 2024 eu quero estar no "mesmo barco" que vc!! ehehe

      Abraço e sucesso irmao!

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  9. Apostando para colher4 de setembro de 2016 11:38

    Muito legal seu post, ultimamente andei refletindo sobre isso, as vezes e melhor ver palestras no Youtube do que fazer parte de algumas rodas de amigos. A chance de um tubarao poder te ajudar e bem maior que um cardume de sardinha, mais com disse o amigo, se dispensar as sardinhas nao quem vai fazer o trabalho de formiguinha, rs.

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